O Sistema Solar

Astronomia Planetária







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Volta

                      Este programa tem por objetivo demonstrar a inteira relação que tem a Terra com os outros corpos celestes, em particular, com os outros astros (planetas, satélites, cometas, asteróides, etc.) constituintes do sistema solar. Através de argumentos científicos, pretendemos demonstrar como o frágil equilíbrio que leva à vida é parte de uma corrente de fenômenos cósmicos que devemos entender através de nossa mente. A mente humana que em uma incompreensível sinfonia consegue, como parte desses fatos, compreendê-los e usá-los para uma integração cada vez maior com o Universo.

                    Vivemos numa era de profundos avanços tecnológicos. Possuímos ferramentas inimagináveis até poucas décadas atrás. Após o lançamento do primeiro satélite artificial da Terra (o Sputnik, em 1959) e da chega do homem à Lua, no dia 20 de novembro de 1969, no curso da missão Apolo 11, centenas de artefatos foram lançados ao espaço interplanetário. Hoje estão em construção no mundo mais de uma dúzia de telescópios da classe de 8 m de diâmetro, que representam um poder observacional maior do que a humanidade jamais teve desde os primórdios da civilização (o Brasil participa junto com os Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Argentina e Chile do projeto GEMINI, para a construção de dois telescópios de 8 m, a serem instalados no Chile e no Havaí, sendo que o primeiro deles começará a funcionar em 1998). Isto sem contar o telescópio espacial Hubble, de 2.2 m que orbita a Terra há 7 anos fornecendo uma imensa quantidade de dados, que requer uma capacidade computacional gigantesca para poder ser estudada.
 
 

O universo como uma hierarquia

                    Se as forças que agem sobre as partículas que constituem o corpo humano deixarem de existir, o mesmo reduzir-se-ía a um centésimo de milímetro. Os átomos combinam-se para formar estruturas maiores de moléculas diatômicas (p. ex.H2 ), até estruturas moleculares muito complexas, como a hélice dupla dos genes.
                    A matéria observada apresenta-se nas formas sólida e fluida (líquida ou gasosa). O estado sólido pode ser bem exemplificado pelos grãos microscópicos da poeira interestelar (que se assemelham às partículas de Silício ou Carbono), bem como pelos planetas tipo Terra. Mas, de longe, a maior parte da matéria do universo apresenta-se na forma gasosa. O gás interestelar, com densidades tão baixas com apenas algumas partícula por cm3 , assim como as estrelas (salvo casos especiais como as anãs brancas ou as estrelas de neutrons) são um exemplo de fluido no universo.

2

  THE GREAT GASEOUS PILLARS AT M16
                    É sobretudo nas estrelas que se concentra a matéria visível. As estrelas dificilmente se apresentam sozinhas. Com efeito os sistemas mais simples são as estrelas duplas, que constituem 60% da massa da nossa galáxia. As estrelas também se apresentam na forma de grupos, com algumas centenas de estrelas, aglomerados com até alguns milhões de estrelas e as próprias galáxias com bilhões até 1.000 bilhões de estrelas. Assim como as estrelas, as galáxias apresentam-se em grupos. A nossa Via Láctea, junto com Andrômeda, situada a 3 milhões de anos luz, são as duas galáxias principais de um grupo de mais de 20 galáxias, entre elas, a grande e pequena Nuvem de Magalhães, que são satélites da Via Láctea. As galáxias se distribuem em grupos e aglomerados, os quais formam estruturas de grandes paredes que povoam o universo vizinho.
 
 

As leis do universo

                       Moderadamente, a ciência física conseguiu explicar todas as interações do mundo físico em termos de quatro interações ou forças: a força gravitacional que governa as estruturas do universo desde pequenas escalas (o peso do homem na Terra, a interação dos corpos do sistema solar, a estrutura das estrelas, passando pelas interações entre galáxias, até as grandes estruturas do universo. Essa força é descrita pelas leis de Newton ou pela Relatividade Geral em caso de grandes velocidades ou concentrações de massa.

                        As interações eletromagnéticas controlam todo o espectro da radiação dos raios gama, passando pela luz visível até as ondas de rádio. A interação eletromagnética é 1016 vezes mais intensa que a gravitacional e, como a interação gravitacional governa o universo em grande escala, isto indica, então, que o universo em grande escala é eletricamente neutro. Em pequena escala, a nível de estruturas moleculares, moléculas e átomos são governados por esta força.

                        A interação forte, ou força nuclear, é a responsável pela estrutura do núcleo atômico, que é 100 vezes mais forte do que a eletromagnética. As reações nucleares produzidas nos aceleradores de partículas e no núcleo das estrelas são exemplos destas forças. As forças fracas são 1016 vezes menos intensas do que a forte e agem sobre distâncias de 10-16 cm. A desintegração de um nêutron em um próton, mais um elétron e mais um neutrino é um exemplo desta força.
 
 

O sistema solar: característica e dinâmica

                      O sistema solar é uma unidade bem estruturada, com uma estrela, o Sol, no seu centro, ao redor do qual orbitam os 9 planetas. Por sua vez, ao redor  dos planetas, giram os satélites, imitando pequenos sistemas solares. São conhecidos mais de 50 presentemente, mas pode existir um número maior, especialmente ao redor dos planetas mais distantes. Também existem os planetas menores ou asteróides, milhares de corpos que orbitam ao redor do Sol, entre as órbitas de Marte e Júpiter e os cometas com uma família formada por corpos que viajam muito além da órbita de Plutão.

                      Comparando ao tamanho dos planetas, e ainda ao do Sol, as órbitas são gigantescas, e o seu raio mede-se em unidades astronômicas, que é a distância média a Terra ao Sol (1UA=149.6 milhões de Km). Plutão orbita entre 30 UA e 50 UA, e Mercúrio a menos de 0,5 UA.

* Figuras das órbitas e tamanhos relativos dos planetas: pg. 50, 51 e 52.

Exercício 1: Dado o semidiâmetro maior e menor de Vênus(109 UA, 107.4 UA), Terra(156.1UA, 147.1 UA) e Plutão (7575 UA, 4425 UA), calcular a excentricidade de sua órbita.
Exercício 2: Traçar a órbita de Marte a partir das observações de sua longitude ecliptical.

Parâmetros Orbitais dos Planetas

 
Mercúrio
Vênus
Terra
Marte
Júpiter
Saturno
Urano
Netuno
Plutão
Semi maior milhões de km
69,7
109
152.1
249.1
815.7
1507
3004
4537
7375
Distância média
57,9
108,2
149,6
227,9
778,3
1427
2869
4496,6
5900
Período sideral em dias
87,969
224,701
365,256
686,980
4532,589
10759,2
30685,4
60189
90465
Período sinódico
115,88
583,92
-
779,94
398,88
378,09
369,66
367,49
366,73
Velocidade orbital km/s
47,89
35,03
29,79
24,13
         
Excentricidade (a-b) / (a+b)
0,2056
0,0068
0,0167
0,0934
0,0485
0,0556
0,0472
0,0086
0,250
Inclinação da órbita
7,00
3,39
-
1,85
1,30
2,49
0,77
1,77
17,2

Propriedades Físicas dos Planetas

 
Mercúrio
Vênus
Terra
Marte
Júpiter
Saturno
Urano
Netuno
Plutão
Massa (Kg) / M + 
0,0538
0,8150
1.0000
0,1074
317,89
95,15
14,54
17,23
0,0017
Raio Equatorial
0,382
0,949
1,00
0,53
11,19
9,44
4,10
3,88
0,15-0,21
Achatamento
0,0
0,0
0,0034
0,0059
0,0637
0,102
0,024
0,027
?
Densidade média g / cm3
5,42
5,25
5,52
3,94
1,314
0,69
1,19
1,70
(0,6-1,7)
Aceleração gravidade m/ s2
3,78
8,6
9,78
3,72
22,88
9,05
7,7
11,0
4,3
Velocidade de escape km/s
4,3
10,3
11,2
5,0
59,5q
35,6
21,22
23,6
5.3
Período sideral
d

58,65

d

243,01

h

23,9345

h

24,6229

h

9,841

h

10,233

h

17,2

h

17,8

h

(6,4)

Inclinação do Equador
0
-2º
23,44º
23,98º
3,08º
29º
97,29º
28,80º
2
4
O movimento dos planetas

                            Os corpos do sistema solar giram em torno do Sol, no caso dos planetas, asteróides e cometas ou ao redor dos planetas, como é o caso dos satélites.
                            O movimento dos planetas é regido, na sua essência, por leis geométricas muito simples, enunciadas por Johannes Kepler, no início do século XVII, e explicadas por Isaac Newton em sua teoria da gravitação universal. As leis de Kepler enunciam:

1) os planetas descrevem elipses com o Sol em um dos focos;

2) os planetas percorrem áreas iguais em tempos iguais;

3) a relação entre o semi-eixo maior r e o período T da órbita dos planetas verificam a relação :

                            Todos os planetas orbitam em torno do Sol no mesmo sentido. Quando a rotação do planeta é nesse mesmo sentido falamos de rotação direta. No caso contrário, falamos de rotação retrógrada. Vênus e Urano apresentam rotação retrógrada.
                            Os períodos de rotação dosplanetas são, em geral, muito menores do que o seu período de revolução, com exceção de Mercúrio e Vênus cujos períodos são de 59 e 243 dias, respectivamente. Pensa-se que estes períodos não são originários destes planetas, mas foram transferidos progressivamente por forças de maré. A obliqüidade do planeta (inclinação do equador com relação ao plano da órbita) é o que determina, unido ao período de rotação, o fenômeno das estações. Esta é menor do que 30º, salvo no caso de Urano (98º) e Vênus (180º).
 
 

As marés

                            A força de maré deriva da gravitacional e deve-se ao fato de que os corpos que sofrem a mútua ação gravitacional não serem pontuais.
                            Com efeito, um corpo celeste como a Lua, exerce sobre a Terra (também a Terra sobre a Lua), uma ação gravitacional diferenciada sobre os diferentes pontos. Isso faz com que a Terra (também a Lua) sofra uma deformação. No sistema solar os corpos, por via de regra, encontram-se muito distantes um dos outros e, conseqüentemente, as forças da maré são muito fracas. Constituem uma exceção a esta regra os grandes satélites dos planetas como é o caso da Lua, os satélites jovianos de Júpiter, Io, Europa, Ganimedes e Calisto, etc; também os cometas podem sofrer fortes ações das marés se eles aproximam muito do Sol ou mesmo de Júpiter, como foi o caso do cometa Shoemaker-Levi, em 1994.
                            A expressão de força de maré que sofre um planeta de massa Mp e raio Rp, exercida por um satélite de massa Ms, raio Rs, posicionado a uma distância D do seu planeta é:

5
                                             Fp = GMs (Rp/D3)

e sobre o satélite a força de maré é:
                                                    Fs = GMp (Rs/D3 )

                            Como os corpos não são elásticos, a energia de maré dissipa-se transformando-se em calor através do atrito. Por exemplo, no caso da Terra, este atrito dá-se no fundo do mar, ou entre as diferentes placas tectônicas. Na Terra, a dissipação de energia tem duas conseqüências importantes, a rotação da Terra se freia e a distância Terra-Lua se aumenta. A duração da rotação terrestre era menor no passado, há 400 milhões de anos era de 21horas.

Exercício 1: Comparar as forças de maré do sol e da Lua sobre a Terra.

Exercício 2: Comparar a força de maré da terra sobre a Lua e da Lua sobre a Terra.

Exercício 3: Calcular a força de maré de Júpiter sobre Io.

Exercício 4: Sabendo que o ano há 360 milhões de anos continha 400 dias, calcular quanto se freia a Terra a cada 100 anos (estes dados são obtidos da estratificação de corais da era carbonífera, devoniana e moderna).
 
 

A nebulosa primordial

                            Ao longo dos séculos foram aventadas diversas teorias sobre a formação do sistema solar. Todas as teorias cosmogônicas se rejuvenesceram a partir dos anos 70, basicamente devido às missões espaciais. O fato de todos os planetas girarem em torno do Sol praticamente no mesmo plano (num mesmo disco), o plano da eclíptica, indica que eles desenvolveram-se a partir de um disco proto planetário. Durante muito tempo cogitou-se que a nuvem proto planetária teria sido arrancada do Sol, devido às forças de maré pela passagem de uma estrela vizinha (teoria cartográfica) ou se todos os corpos teriam se formado a partir de uma mesma nebulosa (teoria nebular). René Descartes, em 1642, foi o primeiro a propor uma origem científica para o sistema solar.

The orion nebula( M42 )
                            Boffor, em 1749, propõe que a passagem de um grande cometa teria tirado uma grande lasca do Sol, que teria sido a origem dos planetas. Hoje, sabemos que a massa dos cometas é muito pequena para produzir tal catástrofe. Também a teoria do encontro com outra estrela estaria hoje descartada, porque vêem-se outras estrelas jovens com discos de poeira ao redor, indicando que da sua formação sempre ficam restos.
                        Kant (1755) e Laplace (1796), lançaram a idéia da nebulosa primordial. A contração de uma nuvem em rotação produz um disco que concentra muito gás no centro (o Sol) o atrito entre as camadas da nuvem , que não rota rigidamente (isto quer dizer, como uma roda de carro) produz condensações locais que seriam os proto planetas.
                            Perto do centro desta nuvem condensa-se a maior massa, a temperatura sobe fortemente por causa da contração gravitacional, mas esta radiação é bloqueada pela opacidade das partes centrais e na periferia. O disco externo permanece muito frio, a algumas dezenas de graus Kelvin. Diversos métodos indicam uma idade de 5 bilhões de anos para o sistema solar.
                            Sintetizando, então, descobrimos 4 etapas primordiais na formação do sistema solar:

1- A contração da nebulosa primordial.

2- A condensação química de grãos de pó, quando a nebulosa esfriou.

3- A formação de planetas, pela agregação de planetóides.

Proto-Solar System in formation fase
                            Este processo deve ter demorado algumas poucas centenas de milhões de anos após a formação do Sol. Este cenário, além de ser muito qualitativo, está longe de ser universalmente aceito pelos cientistas. Versa sobre fatos que ocorreram a 5 bilhões de anos e temos só um sistema solar para testarmos as hipóteses.
                            A cosmoquímica indica que existem diversas anomalias de composição de alguns asteróides estudados e no próprio Sol (quando comparado com a nebulosa de origem, por exemplo). Isto leva modernamente a pensar que ocorreu, perto do Sol, aproximadamente 1 milhão de anos antes de sua formação, a explosão de uma supernova que teria contaminado a nuvem primordial com elementos pesados.
 
 



O interior dos planetas e satélites tipo Terra

                            Antes da era espacial, muito pouco era conhecido sobre o interior dos planetas.
Para aqueles planetas com satélites é fácil determinar a massa e a densidade média, mas Mercúrio e Vênus não têm satélites.
                            Os 4 planetas interiores e a Lua estão compostos por rochas e elementos metálicos . Mas diferenças na sua composição são reveladas pela densidade média (Mercúrio 5,42 g2 / cm3 , Vênus 5,25, Terra 5,52 , Marte 3,94 e a Lua 3,33). Devido aos experimentos espaciais podemos dizer hoje que a composição dos planetas internos não é homogênea, mas está composta por materiais mais densos a medida que nos aprofundamos na sua superfície, apresentando-se em forma de camadas concêntricas.     Estas camadas dividem-se em uma crosta externa leve, um manto mais rígido e um núcleo que pode ser sólido ou líquido.

Copernicus and the full moon

                            Após a Terra, o corpo mais estudado é a Lua, graças às diversas missões Apolo, entre outras. A crosta lunar é mais fina do lado visível do que do oculto, variando entre 60 e 100 km. A superfície da Lua está cheia de crateras de impacto, as quais produziram grandes fluxos de lava basáltica, que formaram as marés lunares. A rocha superficial tem densidades de 2,9 a 3,0 g/cm3 .
                           O manto lunar estende-se da base da crosta até 1.100 km de profundidade. Os terremotos lunares originam-se na parte profunda do manto e são devidos às deformações de maré produzidos pela Terra.
                           A Lua não tem placas tectônicas, como as da Terra. A sonda Clementine, operada em 1994, deu novas e importantes observações da superfície lunar, a mais importante é uma colisão no pólo sul lunar que se presume seja uma das maiores quedas de meteoritos do sistema solar. A existência de um núcleo fisicamente diferenciado é matéria de controvérsia e foi revelado por apenas um experimento, sendo que este teria 500 km ou menos.
                           Os grandes vulcões apagados de Marte, as planícies , os canyons e vales, estes últimos, testemunhando a existência de rios mortos, foram descobertos pela Mariner 9 e pela Viking, em 1976. Um sismômetro deixado na superfície marciana detectou só um evento sísmico, portanto, o conhecimento do interior marciano está grandemente baseado em modelos.
Marcian surface
                            Medidas do campo gravitacional mostraram a existência de uma litosfera de uns 200 km de espessura, com uma crosta de aproximadamente 50 km. O tamanho do manto é muito incerto e varia entre 1.300 à 2.000 km. Não há conhecimento da existência de convecções no manto, porém os vulcões em Tharsis são estruturas recentes, indicando a existência de anomalias térmicas no interior de Marte.
                            O estudo da superfície venusiana foi, por longo tempo, impossibilitada por causa de sua densa atmosfera. Nos últimos 20 anos, devido às sondas Venera, soviética, Pioner e, muito recentemente, devido à Magalhães, conseguiu-se conhecer melhor a superfície. Esta apresenta elevações de até 10 km, mas 70% da superfície não excede 1 km de altura (o que corresponderia aos oceanos terrestres se tivesse água), composta de silicato e um pouco de basalto. Alguns canyons foram também detectados, mas nada semelhante às grandes estruturas tectônicas da Terra (elevações no meio do oceano; zonas de subdução, onde uma placa sobrepõe-se a outra e falhas geológicas). Devido a isto, não é possível saber se têm zonas convectivas no manto de Vênus. Variações de microgravidades correspondem-se fortemente com os relevos do solo. Finalmente, estas mesmas medidas revelam a ausência de achatamento equatorial, o que concorda com o fato do planeta ter uma rotação muito baixa.
 
 

A origem das atmosferas planetárias

                            Dos quatro planetas internos (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) somente Mercúrio perdeu toda a atmosfera, isto devido a sua proximidade do Sol.

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                            As missões espaciais permitiram medir as atmosferas de Marte e Vênus, comparadas com a da Terra. Estes planetas têm predominantemente CO2,, na Terra predomina o Nitrogênio (N2 ) e o Oxigênio (O2 ).
                            Porque eles têm atmosferas tão diferentes hoje, de tal sorte que só a Terra suporta vida? A razão está provavelmente nas origens dos planetas.
                            Três hipóteses foram as mais consideradas como sendo a razão de formação das atmosferas planetárias. De acordo com a teoria da acreção, os compostos voláteis sempre existiram dentro dos grãos de pó que formaram as pequenas rochas que se agregaram para formar os pequenos planetas e, posteriormente os planetas. Os gases foram expulsos para a superfície devido ao aquecimento produzido por atrito no interior dos planetas durante a contração dos mesmos e na segregação dos materiais de acordo com a sua densidade .
                            Na teoria da atmosfera primitiva, os planetas já formados capturam os gases da nebulosa primordial. Na terceira hipótese os planetas adquirem a sua atmosfera após um intenso bombardeio de meteoritos e cometas contendo substâncias voláteis. A análise de elementos pesados como Ne26e Ar40indicam que a hipótese da acreção é a mais adequada. A relação Ar40 / Ne26 é a mesma para os 3 planetas, porém muito diferente daquelas do Sol, que indica a da nebulosa primordial, tanto que a quantidade absoluta de Ar40 é 60 vezes maior em Vênus do que na Terra e é ainda muito menor ainda em Marte. Isso elimina a hipótese do bombardeio, já que Vênus e a Terra tem o mesmo tamanho e, por conseguinte, a mesma probabilidade de serem bombardeados.

A atmosfera primordial supõe-se formada por CO2e N2. Neste ambiente a radiação solar levou à primeira aparição da vida na Terra há 3,7 bilhões de anos.

Como se entende a evolução posterior e a presença do Oxigênio, tão importante à vida? Dois ponteiros muito preciosos da história, o óxido de Urânio ( UO2 ) e a galena (PbS) são encontrados em sedimentos que datam 2 bilhões de anos, isto indica que o O2 não era abundante, porque de outra forma, teria formado UO3e PbSO4. Em contraste, terras vermelhas com 1,8 bilhões de anos, cujo valor é dado pelo Fe2 O3 , demonstram que já havia O2em abundância. Em contraste, sabemos que a vida aparece explosivamente há 420 milhões de anos, o que indica que havia, também, Ozônio (O3) para preservá-la da radiação UV do Sol . A biomassa em rápido crescimento leva à produção de O2por fotossíntese, um processo de retroalimentação positiva, consumindo CO2 e produzindo O2 . O HOMEM, com o processo de desenvolvimento, veio a quebrar este equílibrio, lançando bilhões de toneladas de CO2na atmosfera, aumentando oefeito estufa. De outro lado, os CFH destróem a camada de Ozônio. Ambas intervenções humanas são altamente perigosas para a vida.

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                            Em Vênus o efeito estufa, devido à quantidade de CO2, anula a condensação da água em oceanos. Esta permanece como humidade na atmosfera, as altas temperaturas fazem com que as moléculas de H2O se dissociem e o Hidrogênio que é mais leve, vai se perdendo no espaço com o decorrer do tempo. O oxigênio é removido da atmosfera pela oxidação dos elementos na superfície.
                            Cálculos feitos por H. Hart mostram que se Terra estivesse a 0,95 UA, teria tido um efeito estufa similar a Vênus e a uma distância de tão só 1,05 UA , ela teria sofrido glaciações como as de Marte. Em ambos casos, o surgimento da vida provavelmente não teria acontecido.
                            Na tabela seguinte, mostramos os grãos de minerais da nebulosa primordial e os gases que poderiam ter produzido.
 
Minerais
Gases produzidos
C, N em compostos de Fe e Ni N2
Olivina (Fe, Mg)2 SiO CO, CO2 , NO, NO2
Piroxina ( Ca, Fe, Mg )2 , SiO3 COS, S, SO
Troilitina FeS  
Tramolite Ca2 Mg5 Si8 O22 (OH)2  
Serpentina (Fe,Mg)3 Si2 O5 (OH) H2 O, NH3 , CH4
Talco (Fe, Hg)3 , SI4 O10 (OH) HCl, Hf, H2 S, H2

 
 
 

   Mercúrio

                        Uma peculiaridade deste planeta é que seu "dia" (dura 176 dias terrestres) é duas vezes mais longo do que seu "ano" ( dura 87,97 dias terrestres). Por estar tão próximo do Sol, ele recebe 10 vezes mais radiação do que a Lua que tem diâmetro maior. As temperaturas na superfície variam entre 470ºC ao meio-dia e -176ºC a meia-noite.
                        A sonda Mariner 10 detectou que Mercúrio tem campo magnético da ordem de 0,01 do da Terra. Mercúrio é muito difícil de se observar da superfície da Terra porque nunca se distancia a mais de 27º do Sol, oscilando em 4 meses.
                        Mercúrio não tem satélite natural, como também acontece com Vênus. A órbita deste planeta é muito excêntrica (0,26) e a sua inclinação é grande (7º). O período de rotação de Mercúrio é de 58,65 dias terrestres, previamente pensava-se que fosse igual ao período de revolução ao redor do Sol (87,97 dias) . Ambos os períodos estão em uma relação 2/3 !!! . Isto é devido ao freiamento produzido pela maré solar.
                         A massa de Mercúrio é muito pequena para manter uma atmosfera. A velocidade de escape é de 4,2 km/s, enquanto que a da Terra é de 11,2 km/s.
 
 

10
Como as moléculas adquirem uma velocidade muito alta, devido à grande temperatura superficial, as moléculas acabam escapando. O único elemento detectado pela Mariner 10 foi o Hélio. Este He pode vir do vento solar ou da radioatividade do Tório.
 
 

Morfologia das crateras

Mecury Crater near Caloris Basin

                            Crateras pequenas são produzidas por meteoritos de 10.000 a 100.000 toneladas. Crateras com diâmetro de 20 a 150 km tem a superfície plana e um pico central, são produzidos por meteoritos de 1 a 100 bilhões de toneladas. em crateras maiores, o pico central se desmorona, se formam elevações secundárias concêntricas, devido ao choque que se propaga pela superfície a partir do impacto.
                            A idade das crateras é importante, porque pode dar uma idéia de como evolui o sistema de pequenas corpos com o tempo. Também permite determinar de quanto em quanto tempo se pode esperar meteoritos de grande tamanho. Esta informação pode também ser comparada com a informação de crateras da Lua. Um dos elementos para saber a idade de impactos é conhecer a acumulação de material dentro das crateras velhas devido às ejeções dos impactos mais novos.
                            O impacto mais intenso sofrido por Mercúrio é o que produziu a bacia Caloris. Este impacto sacudiu o planeta todo. No momento do impacto o choque gerou um sismo na superfície concentrando-se na antípoda, neste lugar apareceram formações caóticas de montanhas, grandes fendas com 5 ou 10 km de comprimento a 1 a 2 de profundidade. A Aleácia Caloris teve uma série de cadeias circularmente simétricas, subproduto do impacto.

Caloris Basin in Mercury

                            Mercúrio teve atividade vulcânica só nos primórdios da formação do planeta. Após a formação, o caroço de ferro sofreu uma contração acompanhada pelas camadas externas. O subproduto deste fenômeno foi um conjunto de cordilheiras disseminadas por todo o planeta com 50 a 500 km de comprimento. Pode-se dizer que mercúrio não sofreu mudanças nos últimos 3,5 bilhões de anos, sendo que a única indicação de atividade é a do campo magnético.
 
 


11

Os meteoritos

Barringer Crater

                            Os meteoritos são corpos celestes que entram na Terra, que se aquecem no contato com a atmosfera produzindo uma luminosidade, por vezes muito intensa.
                            Existem fenômenos meteóricos periódicos chamados "chuvas de meteoritos" que estão associados a matéria perdida por cometas. Na tabela, mostramos as características destas chuvas, a época de cada uma, o cometa originário da mesma e o período do cometa.
 
Chuva
Data
Cometa associado Período (anos)
Líridas
10-20 abril
Thatcher
76
Aquáridas
1-8 junho
Halley
76
Oriônidas
18-26 outubro
Halley
76
Táuridas
24 jun.-6 jul.
Encke
3,3
Perseidas
25 jul. - 17 agost.
Swift-Tuttle
120
Dracônidas
9-10 out.
Giacobini - Zinner
6,4
Andromédidas
2-22 nov.
Biela
---
Leônidas
14-21 nov.
Temple-Tuttle
33,2
Gemínidas
7-15 dez.
----
----
Ursíadas
17-24 dez.
Tuttle
13,6

                            Por muito tempo e até 1969, os meteoritos constituíram a única fonte de material cósmico para análise. Ao entrar na atmosfera, eles se quebram e se dispersam por centenas de quilômetros. Estima-se que 10.000 toneladas penetram na atmosfera da Terra a cada segundo. Meteoritos com tamanhos de 0,1 mm até 10-20 mm são destruídos na atmosfera. Os grandes meteoritos não são destruídos pela atmosfera, e podem ser muito perigosos para a Terra. Quanto maiores os meteoritos menos freqüentes são.

Os meteoritos dividem-se em 3 grupo

1- meteoritos de ferro (ferro + 8% níquel)

2- litiorideritos (ferro + silicatos)

3- meteoritos rochosos : carbonados, crondritos ordinários, tipo rochas terrestres ou lunares

Os últimos são os mais freqüentes : 90%

                        O grau de radiação cósmica que sofreu cada meteorito indica quanto tempo o mesmo passou no espaço. Os metálicos parecem ter estado no espaço por muitas centenas de milhões de anos, os de pedra menos de 100 milhões de anos. Os meteoritos e os cometas podem representar as testemunhas da origem da nebulosa primordial

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Asteróides

                            A semelhança com que refletem a luz solar (espectro de absorção) os asteróides e os meteoritos indica que estes corpos são parentes.
                            Em 1º de janeiro de 1801, Piazzi descobriu Ceres, um planeta menor entre Marte e Júpiter. Um objeto era ardorosamente procurado nesta região, porque a lei geométrica de Titius e Bode predizia que teria que existir um outro planeta entre Marte e Júpiter.

A lei de Titius e Bode estabelece que os planetas estão a distâncias que seguem uma lei.
 
d= 0,4 + 0,3 x 2n

n
Planeta
-00,
Mercúrio
0,
Vênus
1,
Terra
2,
Marte
3,
não tinha se detectado

nenhum planeta até 1801

4,
Júpiter
...,etc.
 
                        Nesta lei, d é a distância expressada em Unidades Astronômicas.
                        O número de asteróides conhecidos em 1986, era de 3.000 e este número cresce a razão de dúzias a cada ano, estima-se que existam mais de meio milhão de asteróides com mais de 500 metros de diâmetro e mesmo assim, a massa total destes corpos não deve superar 1/1000 da massa da Terra.
                        Pensou-se que os asteróides tinham se formado após a explosão de um planeta. Hoje, o mais aceito é que estes pedaços de matéria são restos da formação planetária que nunca chegaram a formar um planeta.
                        Os asteróides têm diversas composições, porém podem ser catalogados em 3 grandes grupos: os do tipo C, S e M. Os do tipo C, são os carbonáceos, eles refletem muito pouca luz (6%), são escuros, como o carvão da Terra. Os do tipo S, têm uma refletividade maior. Os do tipo M, parecem ser inteiramente metálicos (Fe e Ni), mas são pouco abundantes; 60% são do tipo C, 30% do tipo S e o resto dividem-se entre metálicos e desconhecidos. Os asteróides não estão uniformemente distribuídos entre Marte e Júpiter, eles estão em faixas que apresentam zonas vazias, chamadas zonas de Kirkpatrick.
                        Os asteróides Troianos giram na órbita de Júpiter. Os Apollo-Amor estão ligados a Terra e Marte.
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Os cometas

Shoemaker-Levy9

                            Os cometas são corpos menores do sistema solar. Eles, do mesmo modo que os planetas, estão ligados gravitacionalmente com o Sol.
                            Estes corpos celestes são aglomerados de alguns tipos de gelo e poeira, podendo conter rochas e metais. Seu diâmetro pode ser de até 50 km. Um cometa não é visível quando está longe do Sol. Quando se aproximam a 5 UA, começa a evaporar-se, formando uma bola de vapor ao seu redor. Mais perto, à 2 UA, a pressão da radiação e o vento solar empurram os gases e a poeira produzindo longas caudas. A cauda sempre aponta na direção contrária ao Sol, a de gás é mais reta, enquanto que a de poeira é mais curva.

    Comet West
                            O brilho da camada de poeira deve-se à luz refletida do Sol. O da cauda gasosa deve-se à excitação dos íons dos diversos elementos H2O, HO+, CO, CO2 , CH4, etc
                            A força gravitacional própria de um cometa é muito baixa, quando aquecido pelo Sol, a pressão interna dos gases pode quebrá-lo. Os cometas perdem muita massa e, portanto, são corpos efêmeros. Isto levou o astrônomo holandês Ian Oort a propôr a existência de uma grande nuvem de cometas em torno do Sol, posteriormente batizada como "Nuvem de Oort", que se estende até 10.000 UA. Ocasionalmente, perturbações, por exemplo de pequenas estrelas desviam um cometa, fazendo com que ele "caia" em direção ao Sol, produzindo um cometa de longo período. Posteriormente, as perturbações dos planetas podem alterar a sua órbita transformando-a em curto período.
                            O primeiro cometa observado com sondas espaciais. foi o famoso cometa "Halley". Na sua última passagem em 1986, conseguiu-se determinar que ele tem a forma de um amendoim de 13 x 8 x 7 km. A análise espectroscópica da luz dos cometas mostra que os elementos mais abundantes são os compostos de Hidrogênio, Carbono, Nitrogênio, Oxigênio.
 
 

                                                    Vênus

                            Este é o corpo celeste mais brilhante do céu após o Sol e a Lua. Por ser um planeta interior, ele só é visto logo após o ocaso do Sol, acima do horizonte ao leste ou antes do nascer no horizonte ao leste.
                            A maior altura acima do horizonte que Vênus pode ter é de 47º. A menor distância da Terra é de 42 milhões de km. O diâmetro de Vênus é de 1200 km, muito semelhante e apenas ligeiramente menor que o da Terra.

Venus as a whole
                            Vênus está coberto de nuvens permanentemente e sua superfície não pode ser nunca vista. Isto levou a algumas confusões só recentemente resolvidas. Por exemplo, acreditava-se que o seu período de rotação era de 4 dias. Porém, em
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1962, conseguiu-se penetrar as nuvens com ondas de rádio que permitiram medir a superfície. Nesta ocasião, se soube que o período do planeta é de 243 h e que ele gira em torno de seu eixo, no sentido inverso que os outros planetas. O seu eixo de rotação é quase perpendicular à sua órbita.
                            A temperatura no topo da camada de nuvens venesianas é de aproximadamente 250ºK (=-23ºC). Devido ao fato de ser o Albedo do planeta (isto é, a quantidade de luz refletida em relação à recebida) muito alto (75%), acreditou-se também que a temperatura superficial seria moderada e que poderia ser apropriada à vida. Esta medida aprimorou dramaticamente, quando se mediu a radiação térmica constatando-se que a temperatura superficial do planeta é de 750ºK ( 477ºC), bem acima do ponto de fusão do chumbo. A razão para esta temperatura tão alta é o efeito estufa. A radiação infravermelha é bloqueada pelo CO2 , principal componente da atmosfera (lembrar que nós, "homens civilizados", estamos despejando milhões de toneladas deste elemento a cada ano na atmosfera da Terra).
                            Já em 1920, o astrônomo francês Liot realizou medições polarimétricas que indicava que a atmosfera continha grandes quantidades de vapor de ácido sulfúrico (H2SO4 ). Este fato foi posteriormente confirmado pelas sondas espaciais.
                            A sonda Mariner 2 (1962) foi a primeira em chegar ao planeta. Seis anos depois, a sonda soviética Venera 4 enviou os primeiros dados das nuvens. As primeiras imagens do solo foram obtidas pelas sondas Venera 9 e 10, em 1975. O primeiro mapa de radar foi completado em 1980, após 18 meses de trabalho pela sonda US Pioner Vênus 1.

                            O tamanho de Vênus é comparável ao da Terra e pensa-se que seu interior também o seja. O fato de Vênus não ter campo magnético acredita-se é devido à pequeníssima rotação do planeta. O solo de Vênus é composto de granito e basalto.

Crater Golubkina
                            Na superfície do planeta existem canyons e montanhas, o que se toma como prova de que houve movimentos continentais, como na Terra. Se os mesmos persistem, ainda não se sabe. Existem também impactos de meteoritos, bem como crateras de possível origem vulcânica.
Crater Golubkina in perspective
                            Estruturas continentais existem também em Vênus, a maior, Aphrodite, está perto do Equador Venusiano. Esta é do tamanho da América do Sul. Outro grande continente, a Terra de Ishtar, encontra-se a 70º de latitude norte, onde encontramos montanhas de 12 km de altura, as maiores de Vênus, chamadas Montanhas de Maxwell.
Active vulcano in Venus
                            A Atmosfera de Vênus contém pouca água, mais ou menos 1 milionésimo do que encontramos na da Terra . Acredita-se que devido a alta temperatura, a água dissocia-se em O e H, sendo que o H, mais leve, foi se perdendo ao espaço interplanetário.
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                            A pressão atmosférica é de 90 atmosferas; 1% da radiação solar que atinge Vênus, chega à sua superfície e o faz muito avermelhada. A visibilidade na superfície é de vários quilômetros. As nuvens mais densas estão a 50 km de altura, com uma espessura de 2-3 km. A parte superior das nuvens gira rapidamente, produzindo ventos de mais de 400 km/h, movidos pela radiação solar.
O planeta Vênus apresenta fases semelhantes às da Terra.
 
 

Terra

                            O terceiro planeta na ordem é a Terra e o seu satélite, a Lua. O tamanho da Lua quando comparado com o da Terra é maior que o de qualquer outro satélite.
                            A Terra tem características únicas, já que tem abundante água pura em estado líquido. Isto só é possível porque a temperatura é superior à de congelamento e inferior à de ebulição. Este é também o único planeta onde se conhece, até agora, formas de vida (se é inteligente ou não, ainda está para resolver-se!). A temperatura moderada bem como a presença d’àgua são essenciais para a existência da vida tal qual a conhecemos.
                            O diâmetro da Terra é de aproximadamente 12.650 km. No centro existe um núcleo de Ferro e Níquel, com uma temperatura de 50.000ºK e uma pressão de 3 x 1010 kg/m2 (pressão atmosférica 1 x 10 kg/m2 ).

                        As ondas sísmicas, que podem ser transversais (s) ou longitudinais (p) e são produzidas nos terremotos, quando estudadas permitem desvendar a composição do interior terrestre assim como o seu estado físico.
                        As ondas S somem a uma profundidade de 3.000 km, indicando que ali a Terra está em está líquido, já que estas ondas não se propagam nos líquidos.
                        As ondas P mudam rapidamente a sua velocidade a 5.000 km, indicando que provavelmente no centro exista um núcleo sólido.

Earth´s division all the way to the core.

                            Um manto de silicatos flutuantes existe entre o núcleo sólido e a superfície, de 3.000 km de espessura. Este comporta-se como um líquido viscoso. Na sua superfície flutua a crosta com uma espessura de 12 a 65 km. Esta é mais fina no fundo do mar e mais espessa nas montanhas. A deriva dos continentes é originada pelo movimento dos materiais do manto.
                            Há 200 milhões de anos os continentes estavam todos juntos na denominada "Pangea". O oceano Atlântico aumenta, a América do Norte separa-se da Europa a uns poucos centímetros por ano e embaixo da Cordilheira dos Andes, uma placa sobrepõe-se a outra. Isso produz grandes terremotos a 600 km de profundidade. No meio dos oceanos, estes se originam a somente algumas dezenas de quilômetros.

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                            A superfície da Terra também muda pela ação da erosão eólica e das chuvas e, mais recentemente, pela ação do homem.
                            A maior parte da superfície terrestre está coberta por água (H2 O) que se condensa das erupções vulcânicas. A atmosfera primordial era muito diferente da atual, não havia oxigênio, que aumentou rapidamente, quando a vida começou nos oceanos. O CO2 original está hoje concentrado em rochas e o metano (CH4 ) foi dissociado pela radiação ultravioleta do Sol.
Earth ´s Cloud show
                        Os princípios constituintes da atmosfera terrestre são o Nitrogênio (77%) e o oxigênio (21%). Vapor de água, dióxido de carbono, argônio, etc, ocorrem em quantidades menores.
A atmosfera terrestre está dividida em 3 partes principais:

1- troposfera ( 8 a 10 km de altura )

2- estratosfera (até 60 km de altura )

3- ionosfera ( até 200 km ). Acima desta altura denomina-se ergosfera.

                            Na troposfera ocorreram a maioria das mudanças climáticas. A altura desta camada é maior no Equador ( aproximadamente 18 km ) do que nos polos. A temperatura a 10 km cai aos -40ºC. Ela cai de 5 a 7 ºC/km entre o solo e as partes mais altas.
                            Na estratosfera a temperatura começa a crescer novamente, por causa da absorção da luz solar pelo CO2 , H2 O e Ozônio. O ozônio, que protege a vida dos raios UVA do Sol, encontra-se numa camada entre 20 a 25 km de altura.
                            A ionosfera é onde se queimam as partículas menores que entram na Terra. Aqui se produzem também as auroras. Esta camada desempenha um papel importante nas comunicações, já que reflete as ondas de rádio. Aos 500 km de altura, o vácuo é mais perfeito do que em qualquer laboratório terrestre.
                            O campo magnético da Terra é gerado pela rotação do núcleo. O campo é quase um dipolo, com fortes variações em lugares específicos, como acontece em frente às costas gaúchas na chamada "Anomalia do Atlântico Sul". Os pólos magnéticos não coincidem com os geográficos, apresentando um desvio de 11º e a sua direção muda permanentemente. Mas, curioso ainda, é que os pólos magnéticos inverteram-se várias vezes durante o último milhão de anos.

                                                      A Lua

                        Este corpo celeste, satélite da Terra, é o vizinho mais próximo. Ainda, a olho nú, podem-se distinguir regiões escuras e claras. Por razões históricas, as escuras são chamadas de Marias (do latim mare=mar e no plural, Maria=mares), embora isto nada tenha a ver com as marés terrestres, já que não há água na Lua. Numerosas crateras podem ser vistas com pequenos telescópios. Essas são produzidas por impactos de meteoritos. A falta de atmosfera , vulcanismo e atividade tectônica, ajudam a preservar a crateras.

Buzz Aldrin : the second man to step on the Moon
                        A Lua é o corpo mais estudado depois da Terra. O primeiro homem chegou lá em 1969; 382 kg de rocha foram coletados durante o vôo da Apolo. Três robôs soviéticos coletaram 310 g de solo lunar. Instrumentos depositados na Lua pelos astronautas da Apolo trabalharam durante 8 anos. Havia sismômetros para detectar tremores internos ou produzidos por impactos de meteoritos. Também foram depositados refletores de luz laser para medir com muita precisão a distância Terra-Lua os quais funcionam até hoje.
Footprint by Neil Amstrong: the First man to step on the moon
                        A origem da Lua é desconhecida, mas o conhecimento atual permite descartar a hipótese de que a Lua desprendeu-se do oceano Pacífico. Primeiro, porque o pacífico tem 200 milhões de anos e,segundo, porque o solo lunar tem composição diferente do da Terra.
               As rochas lunares não tem água; nas terrestres, isto é comum , e se dá em forma de cristais.
                        Se a Lua tem uma origem comum com a Terra ou, se foi capturada por esta. Isso ainda não é sabido.
Earth from the moon
                        Sismômetros e gravímetros forneceram dados sobre os tremores lunares. Eles ocorrem a 800-1000 km mais profundamente do que na Terra. A maioria ocorre entre o "manto" sólido (litosfera) e o "caroço" (esterosfera). As ondas S não penetram a estenosfera, o que indica que ela está parcialmente liquefeita. A origem mais provável dos tremores é a força de maré exercida pela Terra.
                        Os gravímetros das sondas em órbita em torno da Lua detectaram anomalias no seu campo gravitacional, chamadas "mascons", em baixo das Maria. As crateras foram-se enchendo de fluxo de lava no seguinte bilhão de anos, em diversas fases.
                        As grandes Maria se formaram a 4 bilhões de anos, quando o bombardeio de meteoritos era muito mais intenso. Os últimos 3 bilhões de anos foram bem mais pacíficos; sem eventos maiores.
 
 

Marte

                            Marte aparece de cor avermelhada no telescópio com calotas polares brancas. As mesmas mudam de tamanho no tempo, o que indica a existência de estações. Marte excitou sempre a nossa imaginação devido à possibilidade de existência de vida.
                            No século XIX o astrônomo italiano Schiaparelli disse ter visto canais na superfície marciana. Chegou-se a conjecturar que manchas mais escuras era vegetação.
                            Os marcianos eram e são muito populares na ficção científica. Finalmente, as imagens da Mariner 4 em 1965 acabaram com as esperanças de vida naquele planeta. Como Marte chega a estar muito próximo da Terra na época da oposição Sol-Terra-Marte, pode ser muito bem observado e era muito bem conhecido antes das viagens interplanetárias.
" Face" on Mars
 
 

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                             Marte tem estações do ano como as da Terra. O seu eixo de rotação está inclinado 25º em relação à eclíptica, muito similar ao eixo da Terra que é 23º. O dia em Marte tem uma duração só ½ hora maior do que a da Terra.
Vale Marineris
                            As sondas espaciais revelaram detalhes do planeta. O hemisfério sul está especialmente marcado por cratera, de outro lado, o hemisfério norte tem abundância de bacias de lava e vulcões. O maior deles é o Monte Olimpo com 20 km de altura. Existem também canyons, sendo o maior, o Vale Marineris com um comprimento de 5.000 km , largura de 200 km e altura de 6 km. Comparado a este canyon, o Itaimbezinho é um mero risco no chão da Terra. Existem também pregas muito velhas no terreno. Presentemente, a temperatura e pressão da atmosfera são muito baixas, -53ºC e 5-8 m bar, respectivamente. No verão e no Equador esta pode chegar aos 0 ºC. Rios formaram-se logo após a formação do planeta, quando havia água suficiente e as temperaturas eram mais amenas. Hoje, existe água abaixo das calotas polares.
Mount Olympus
                            As Viking 1 e 2 determinaram que as calotas polares são formadas por CO2 e de H2 O. A calota polar Norte não é afetada pela mudança de estações, enquanto na Sul, desaparece quase todo o CO2 , mas a água permanece, já que a temperatura é ainda muito fria ( -73ºC). As camadas de água tem centenas de metros de profundidade.
Mars South Pole
As manchas negras observadas da terra não são vegetação, mas poeira que se desloca a grandes distâncias devido às tempestades. Os ventos levantam a poeira a grandes alturas tornando o céu avermelhado.

                            O solo de Marte  está composto por 13% de ferro e 21% de silício. O enxofre é 10 vezes mais abundante do que na Terra.
                            Três testes biológicos foram desenvolvidos pelas Vikings. Não foi detectada vida, mas alguns testes     químicos forneceram resultados inesperados.

Mars "bug" : were there life ??
                            A atmosfera marciana é composta por 95% de CO2 , 2% de H e 0,1% a 0,4 % de O. A atmosfera é muito seca e se condensada toda a água. Esta formaria uma película de 0,1 mm sobre a superfície do planeta. A pressão atmosférica é 1/200 atmosferas terrestres.
PHOBOS
                            Marte tem 2 luas: Phobos e Deimos. A primeira, tem 27 x 21 x 19 km e o seu período orbital é 7 h 39 min. A segunda, mede 15 x 12 x 11 km. Ambas as luas apresentam crateras. Elas são compostas de condritos carbonatos e são semelhante aos meteoritos.
 
 

                                                 Júpiter

                            Este planeta e os mais distantes são gasosos. Para além do cinturão de asteróides, os planetas têm maior abundância de elementos gasosos e a composição original do sistema solar está preservada nos planetas gigantes.
                            Júpiter tem 2,5 vezes a massa do resto dos planetas juntos, embora essa seja 1/1000 em relação ao Sol. Ele está composto de hidrogênio e hélio com abundância de 9: 1 em número com densidade igual à do Sol 1.330 kg/m3 . Tem também zonas claras e escuras em forma de faixas paralelas ao Equador. O mais famoso detalhe é a grande mancha vermelha, um gigantesco ciclone, girando em sentido anti-horário uma vez a cada seis dias. Esta mancha sobrevive por vários séculos.

Great Red Spot
                            O campo magnético de Júpiter gira a cada 9 h 59m 27s , isto indica o tempo de rotação do interior do planeta, já que o campo está "congelado" no núcleo interno e apresenta uma considerável diferença entre a rotação no Equador e perto dos pólos e, portanto, não gira rigidamente. O seu achatamento é enorme: 1,5.
                            Júpiter provavelmente tem um núcleo de Fe e Ni de tamanho igual a 1/10 em relação ao da Terra, este está rodeado de H metálico a 10.000ºK e a pressão é de 3 milhões de atmosferas. A estas pressões, o H está dissociado em átomos simples. Nesta forma, o H comporta-se como um metal e há muitos elétrons livres, portanto, é altamente condutivo e, devido à rotação, gera campos magnéticos. Para fora a pressão e temperatura diminuem e o H encontra-se em estado molecular H2 . No topo existe uma atmosfera de 1.000 km de altura.
                            Júpiter irradia 2 vezes mais energia da que recebe do Sol. Este calor é remanescente da contração inicial e indica que ele se contrai gradualmente. O calor é transferido para fora por convecção.
                            Nas faixas escuras, a atmosfera circula em direção ao interior do planeta enquanto que, nas faixas claras, a faz para fora. Fortes ventos se produzem ao longo destas zonas com sentido oposto nas faixas claras e escuras, paralelas à superfície do planeta, com velocidades de até 400 km/h.
                            A mancha vermelha muda aleatoriamente de cor, tem tamanho de 14.000 x 35.000 km. Outros pequenos ciclones formam-se na superfície de Júpiter, que chegam a durar alguns anos.
                            A composição atmosférica de Júpiter foi medida pelas sondas Pioner 9 e 10. A proporção entre a quantidade de Hélio para Hidrogênio é de 0,11%. Outros elementos encontrados são metano, etano e amoníaco. A temperatura superficial é de -140ºC.

Jupiter´s ring
                         Júpiter possui um anel, descoberto em 1979. Ele é muito tênue, tem menos de 1 km de espessura e 6.500 km (é a diferença entre o seu raio interno e o externo). O anel é constituído de pequenas partículas de poucos mícrons de diâmetro. Ele não é estável e supõe-se que é alimentado permanentemente por emanações do satélite Io.
 
 
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                            Júpiter tem 16 luas. As 4 maiores: Io, Europa, Ganimedes e Calisto, são chamadas satélites galileanos, em honra a Galileu Galilei que as descobriu em 1610. Esses satélites são vistos ordinariamente com binoculares.
                          Io é o satélite mais interno. De tamanho ligeiramente superior ao da Lua, ele apresenta numerosas "caldeiras" (vulcões sem montanhas). A atividade vulcânica de Io é muito maior do que a da Terra. O material fundido eleva-se até a alturas de 250 km. A atividade vulcânica é produzida pela força de maré de Júpiter e, em menor escala, em Europa e Ganimedes. As marés geram atrito no interior de Io que se transforma em calor e mantém os compostos de enxofre fundidos debaixo da superfície. Não se vêem crateras de impacto, indicando que a superfície de Io é nova. Ela é renovada pelas contínuas erupções. Não se detectou água em Io.
Jupiter family
                      Europa é o menor dos Galileanos. Ligeiramente menor do que a Lua, a superfície está coberta de gelo e seu albedo é superior a 0,6. A superfície é suave, sem indicações de impactos sendo permanentemente renovada por água do interior dos oceanos. No centro, tem um núcleo de silicatos.
                      Ganimedes é o maior satélite do sistema solar. Seu diâmetro é de 5.300 km. Aproximadamente, 50% de massa é gelo ou água e a outra metade é de silicatos (rochas). A densidade de crateras na superfície varia, indicando áreas de diferentes idades.
                      Calisto é o satélite mais externo dos galilenos. Ele é escuro, seu albedo é menor do que 0,2. A superfície está coberta de crateras meteóricas. Não apresenta sinais de atividade geológica. A superfície é de pedra e gelo e a estrutura interna semelhante a Ganimedes.
                        As luas externas dividem-se em 2 grupos: As órbitas do grupo interno inclinadas de 35º em relação ao Equador. As quatro mais externas giram em órbitas retrógradas e excêntricas. Possivelmente, elas são asteróides capturados.
 
 

                                                     Saturno

                            É o segundo maior planeta. Seu diâmetro é de aproximadamente 120.000 km, dez vezes maior que o da Terra. A densidade é de somente 700 kg/m3 , menor que a da água. O seu eixo de rotação está inclinado de 27º, ou seja, a cada 15 anos, o seu polo N ou S é observado. O período de rotação é de 10 h e 30 m.
                            A estrutura interna é semelhante a de Júpiter. Devido ao tamanho menor, a camada de H não é tão espessa. Visto da Terra , Saturno é amarelado, sem estruturas tão conspícuas como Júpiter. Parcialmente, devido a que uma fina névoa flutua sobre o planeta. Por estar mais distante do Sol do que Júpiter, ele recebe muito menos energia.
 
 

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                            Os ventos e correntes atmosféricos são similares aos de Júpiter. A temperatura é de -180ºC e também irradia 2 vezes mais energia da que recebe do sol.
                            A estrutura saturniana mais notável é seu anel. Ele gira no plano equatorial e pode ser visto com pequenos telescópios. O anel foi descoberto por Galileo em 1610. Ele acreditou se tratar de dois bulbos em ambos lados do planeta; 45 anos mais tarde, Huyghens descobriu que realmente era um anel.
                            Os anéis de saturno são compostos de gelo d’água. O tamanho das partículas vai de alguns mícrons até pedaços do tamanho de um caminhão. A largura do anel é de 60.000 km e a sua espesssura pode ser de não mais de 100 m.
                            As observações primitivas da superfície da Terra, dividiram o anel em 3 partes: A, B, C e D. A C, mais interna, tem 17.000 km de largura. A parte mais interna, às vezes chamada de D, pode se estender até a superfície do planeta. O anel B, é o mais brilhante, tem 26.000 km de largura e está dividido em milhares de partes.
                            Estas subdivisões só foram detectadas pelas sondas. Entre os anéis A e B existe uma zona vazia de 300 km de largura, chamada de Divisão de Cassini. O anel A não tem divisões claras como o anel B, mas possui uma grande divisão chamada de Encke, próximo da borda externa. A borda externa da divisão A é bem nítida devido à existência dos "satélites pastores". Provavelmente, todas as divisões observadas em B sejam devido a satélites menores, ainda não descobertos.
                            Em 1979 foi descoberto um anel mais externo, chamado de F, a 3.000 km do A. Tem só algumas centenas de quilômetros de largura. Nas bordas interna e externa existem 2 "satélites pastores" que confirmam o anel.
                            Para fora de F, existem partículas que não constituem realmente anéis, chamados de G e E. Existem também 2 pequenos satélites que fazem uma dança interessante e, quando se aproximam, trocam de posição. O mais interno vai para fora e o mais externo, para dentro.

Saturn Storm

                            A mais interna das luas de Saturno é a Mimas. Com 500 km de diâmetro, esse satélite apresenta uma cratera de impacto de 150 km de diâmetro! Do lado oposto, ele apresenta rachaduras indicando que o satélite quase se rompeu. Titã é a maior das luas de Saturno, com 5.100 km de diâmetro, ligeiramente menor do que Ganimedes. Titã é o único satélite com atmosfera e é composta por 95% de Nitrogênio. A pressão na superfície é de 1,5 a 2 bar. A temperatura é de aproximadamente -180ºC. Formam-se nuvens a 200 km da superfície.
                            Entre Mimas e Titã, encontra-se Enceladus cuja superfície é quase puro gelo. Um dos seus lados não apresenta crateras. No outro hemisfério, existem crateras e fendas. As forças de maré produzem vulcanismo em que somente água é despejada na superfície e mais nenhum outro material. Seu diâmetro é de 200 km.

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                          Iapetus é um dos mais estranhos corpos do sistema solar, já que um dos seus lados é totalmente escuro (albedo 0,03), enquanto que o outro é 10 vezes mais brilhante. O seu diâmetro é de 730 km.
 
 

                                                 Urano

                            Descoberto por Herschel em 1781. A sua distância do Sol é de 19 UA, e orbita em 84 anos. Seu eixo de rotação está inclinado 84º em relação à Eclíptica Devido a isso, um polo está totalmente iluminado e o outro às escuras. O período de rotação é de 18 h; foi descoberto em 1986.

                            Urano é esverdeado devido ao gás metano. A superfície não apresenta estruturas, já que as nuvens estão cobertas por uma camada de névoa. A temperatura é de -190ºC.

                            Acima do núcleo de rochas, Urano apresenta uma camada de água rodeada de H e He. A mistura de água, amônia e metano dissocia-se em íons e devido a pressão imperante, esta mistura comporta-se mais como uma lama salobra do que como um líquido. A convecção neste "mar condutivo" gera campos magnéticos. O de Urano é 50 vezes mais intenso que o da Terra. O campo magnético de Urano está inclinado de 60º em relação ao eixo dos pólos. É o mais inclinado de todos os planetas.

                            Os anéis de Urano foram descobertos em 1977. São conhecidos 10 anéis. Todos eles são finos e muito escuros. Eles não contêm poeira são formados por pedaços de mais de 1 m de diâmetro. Constituem o material mais escuro conhecido no sistema solar e a causa deste fenômeno é desconhecida.

                            Urano tem 15 luas. Sua composição é mais parecida com os satélites jovianos e sua densidade é bem maior do que a da água. No passado, estes satélites parecem ter sido muito ativos.

                            Miranda é o mais interno e é muito peculiar porque tem várias formações geológicas superpostas e misturadas. Além disto, tem as peculiares estruturas em V. É possível que Miranda tenha sido rompido por uma forte colisão e alguns pedaços se juntaram novamente.

                            Outro objeto peculiar é Umbriel. Esse satélite pertence à família dos objetos escuros, como os anéis de Urano, o lado escuro de Iapetuse o cometa Halley. A sua superfície é coberta de crateras, sem sinais de atividade interior.
 
 

                                                 Netuno

                            Descoberto em 1846, devido a uma predição de Le Verrier. A sua distância ao Sol é de 30 UA e o seu período de revolução é de 165 anos. Seu período de rotação está entre 16 e 18 h e a obliqüidade do eixo é de 29º. A densidade de Netuno é de 1660 kg/m3 , seu raio é de 24.300 km e a temperatura é de -220ºC. Não se detectaram detalhes na superfície.
                              Netuno tem 2 luas: Tritão e Nereida. Tritão tem 1.500 km de raio e gira em
sentido retrógrado. Nereida tem só 300 km. A sua órbita é muito excêntrica, afastando-se até 10 milhões de quilômetros do planeta.
Neptune´s  Great Dark Spot
 
 

                                                 Plutão

                            É o planeta mais externo. Foi descoberto em 1930. Esse planeta é difícil de observar. Sua massa era desconhecida até a descoberta do seu satélite Caronte. O diâmetro é de 2.300 km e o de Caronte, 1.500 km. A densidade do planeta é de 2.100 kg/m3 , o que indica que uma quantidade substancial dele é composta por rochas. Orbita o Sol em 290 anos de forma muito peculiar, sendo sua órbita mais excêntrica e inclinada de 17º em relação à eclíptica. Isso faz com que fique, em certas épocas, mais próximo do Sol que Netuno, o que está ocorrendo desde 1979 até 1999.
                            Recentemente, em 1996, foi detectado um planeta transplutoniano com diâmetro aproximado de 500 km. Com novas técnicas de detecção e telescópios dedicados exclusivamente para isso, espera-se encontrar muitos destes objetos situados além de Plutão.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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