MARIA INÊS CASTILHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ROBÓTICA NA EDUCAÇÃO:

COM QUE OBJETIVOS?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Monografia de Conclusão

Pós-Graduação em Informática na Educação

Universidade Federal do rio Grande do Sul

 

 

 

 

 

 

 

Orientadora: Profª Drª Rosa Viccari

 

 

 

 

 

Porto Alegre

2002

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
RESUMO

 

 

 

 

A robótica educacional é uma atividade recente nas Escolas. E como tal, há questionamentos sobre a validade de desenvolver trabalhos desse tipo junto de alunos do Ensino Médio. O presente trabalho visa descrever sobre robótica educacional e os objetivos a que se propõe.

 

Inicialmente, são abordados aspectos importantes de como se processa o aprendizado e são tecidas considerações sobre o que é robótica educacional e um pouco de sua história.  Em seguida, passa-se a descrever sobre as vantagens que as atividades de construir e programar robôs  trazem aos envolvidos no processo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ABSTRAT

 

 

 

 

Educational robotics is a recent activity at schools. Therefore, there are many questions if it´s worth to develop such work with high school students. This work is going to describe educational robotics and its objectives.

 

In the first part, important facts about knowledge acquisition are going to be approached as its historical facts and what educational robotics is. In the following part, the advantages that building and programming robots activities bring to those who are involved in the process are going to be reported.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SUMÁRIO

 

 

 

 

INTRODUÇÃO.......................................................................................................05

 

1. Robô e robótica .................................................................................................08

 

2. Robótica educacional ........................................................................................10

 

3. História da robótica educacional .......................................................................10

 

4. Robótica e raciocínio lógico ..............................................................................12

 

5. Robótica e criatividade ......................................................................................14

 

6. Robótica e autonomia no aprendizado ..............................................................15

 

7. Robótica e a compreensão de conceitos de física ............................................17

 

8. Robótica e o conviver em grupo ........................................................................18

 

CONCLUSÃO.........................................................................................................20

 

OBRAS CONSULTADAS ..................................................................................... 21

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

 

Os sistemas robotizados fazem parte de nossa sociedade já há bastante tempo. Temos elevadores que, com simples toque de um botão, nos levam ao andar desejado, param e abre-se a porta, tudo automaticamente. Sacamos dinheiro, efetuamos depósitos e pagamentos em caixas eletrônicos, sem interagir com um humano. O portão da garagem pode ser acionado de longe, ainda dentro do veículo. Na industria, a precisão dos robôs é indispensável. Na medicina, vidas são salvas graças ao avanço tecnológico. E, de simples mecanismos a sofisticados robôs, como os de pesquisa submarina ou interplanetária, vê-se uma abrangência muito grande da tecnologia.

 

Em qualquer cidade se faz necessário a interação homem x máquina e, cada vez mais, a população ativa se locupleta em suas atividades diárias com mecanismos que a levam, no mínimo, a pensar sobre a evolução tecnológica a que estamos inseridos. Saído da ficção científica, os robôs são hoje realidades fantásticas desenvolvidas pelo homem a serviço do homem.  Máquinas programadas para se adaptar ao ambiente e interagir com o meio, os robôs possibilitam  ao homem a tranqüilidade de que poderão substituí-lo em tarefas consideradas perigosas ou inacessíveis a ele, ou até mesmo em rotinas que liberem a pessoa humana para atividades mais de lazer e convívio com a família, de criação e uso do intelecto que, por mais desenvolvido que se pense um robô, sabe-se que este nunca superará o homem, pelo simples fato de que o próprio homem desconhece as suas potencialidades e seus limites intelectuais. Entretanto, os meios de produção, são beneficiados com esta nova tecnologia que se expande e se aprimora a cada dia.

 

A robótica é considerada hoje a mola mestra de uma nova mutação dos meios de produção, isto devido a sua versatilidade, em oposição à automação fixa ou “hard”, atualmente dominante na indústria. Os robôs, graças ao seu sistema lógico ou informático, podem ser reprogramados e utilizados em uma grande variedade de tarefas. Mas, não é a reprogramação o fator mais importante na versatilidade desejada e sim a adaptação às variações no seu ambiente de trabalho, mediante um sistema adequado de percepção e tratamento de informação. (Ferreira, Edson de Paula, 1991, p.4)

 

Mas, poderá a robótica ser também um instrumento de uso em escola, como meio de desenvolvimento do intelecto? Ser usada como veículo de aprendizagem? Com que propósitos pode se desenvolver robôs, programá-los e analisá-los em um ambiente educacional? Segundo Saymour Papert, a escola está no contexto da sociedade e como tal, vive “ou deve viver” a mesma revolução tecnológica dos dias atuais.

 

A mesma revolução tecnológica que foi responsável pela forte necessidade de aprender melhor oferece também os meios para adotar ações eficazes. As tecnologias de informação, desde a televisão até os computadores e todas as suas combinações, abrem oportunidades sem precedentes para a ação afim de melhorar a qualidade do ambiente de aprendizagem. (Papert, 1994, p.6)

 

O aprendizado, sob a visão de Jean Piaget, passa por assimilações e acomodações, situações estas que advém do meio onde o sujeito está inserido. Para explicar o desenvolvimento intelectual, Piaget partiu da idéia que os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e organizações do meio ambiente, sempre procurando manter um equilíbrio. Certamente, Piaget não desenvolveu sua teoria a partir do ambiente computacional e da inteligência artificial hoje existente mas os princípios piagetianos parecem muito atuais quando visto sobre o prisma da robótica educacional.  Em processos de assimilação e de acomodação é que se estrutura o pensamento e, portanto, o comportamento da pessoa frente a uma nova realidade. Através da experimentação, ela tenta  assimilar novos estímulos às estruturas cognitivas que já possui. Comparando e diferenciando conceitos e esquemas a pessoa efetua  a operação cognitiva da acomodação.

 

Piaget defini os dois processos da seguinte forma:

 

Assimilação - uma integração à estruturas prévias, que podem permanecer invariáveis ou são mais ou menos modificadas por esta própria integração, mas sem descontinuidade  com o estado precedente, isto é, sem serem destruídas, mas simplesmente acomodando-se à nova situação. (Piaget, 1996, p.13)

Chamaremos acomodação toda modificação dos esquemas de assimilação sob a influência de situações exteriores aos quais se aplicam. (Piaget, 1996,p.18)

 

          Também Humberto Maturana reforça a idéia de que o ambiente onde a pessoa está inserida proporciona situações de aprendizagem. Somente é possível promover situações de aprendizagem se existir no meio ambiente o fator a que se pretende a interação.

 

          A história individual de cada ser vivo transcorre exatamente nestes termos de interações recorrentes, nas quais ou se conserva a organização e a congruência com o meio, ou não se conserva e o ser vivo morre. Isto é válido, sem dúvida, para qualquer sistema, em termos gerais. Qualquer sistema existe em interações com sua circunstância e, nestas interações, ou se conserva o organismo do sistema em congruência com suas circunstâncias, e existe uma história de transformações, ou o sistema se desintegra. (Maturana, 1993, p.29)

             

Parece bastante relevante que se faça uma reflexão crítica da influência destes novos instrumentos computacionais, dessa nova forma de interação homem x máquina, no desenvolvimento da pessoa humana, no que concerne ao raciocínio lógico, a criatividade, a autonomia no aprendizado e na compreensão de conceitos de Física e outras disciplinas. Este trabalho tem a pretensão de demonstrar o quanto a robótica educacional favorece o desenvolvimento destes fatores nos alunos de uma escola de ensino médio, a partir da inserção de tarefas lúdicas e experimentais no currículo escolar ou como atividade extra-curricular.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  1. ROBÔ E ROBÓTICA

 

 

 

          A palavra robô foi usada pela primeira vez, em 1921, numa peça de teatro que tinha como título R.U.R – Russum´s Universal Robots, na Tchecoslováquia, escrita por Karel Capek. Em tcheco, a palavra robota significa trabalho e foi usado Robot no sentido de uma máquina substituir o trabalho humano.

 

          A definição oficial foi determinada mais tarde sendo que, de acordo com a definição adotada pelo Instituto de Robôs da América (Robot Instituto of América),

 

O robô é um equipamento multifuncional e reprogramável, projetado para movimentar materiais, peças, ferramentas ou dispositivos especializados através de movimentos variados e programados, para a execução de uma infinidade de tarefas.

Aqui, as palavras-chaves são multifuncionais e reprogramável. Diferentemente da automação convencional, os robôs são projetados para realizarem, dentro dos limites especificados, um número irrestrito de diferentes tarefas.

(Ullrich, Roberto A., 1987, p.8)

 

Máquinas autônomas difere de robôs no sentido de que este tipo de máquinas não podem ser reprogramadas. Foram construídas para um determinado fim e não podem ter alterações da função apenas por uma nova programação. Já os robôs, para caracterizá-los, são utilizados alguns conceitos fundamentais como descreve Edson de Paula Ferreira, em seu livro Robótica Básica, quanto a adaptabilidade, a polivalência, a versatilidade ou flexibilidade:

 

A adaptabilidade é a capacidade de executar uma tarefa numa vizinhança variável. Naturalmente o grau de adaptabilidade é definido pela complexidade das variações às quais ele consegue se adaptar. A adaptabilidade de uma máquina evoluída dependeria do nível de sofisticação dos seguintes sistemas: comunicação, decisão, controle e percepção.

A polivalência é a capacidade de executar diferentes classes de ações e tarefas. A polivalência estaria ligada principalmente às características estruturais, em termos de mobilidade no ambiente ou de ação mecânica sobre o ambiente. Assim, esta seria definida pelo grau de possibilidades mecânicas de sua cadeia articulada e órgãos terminais.

A versatilidade ou flexibilidade engloba os dois conceitos anteriores.

(Ferreira, 1991, p.11)

 

          O JIRA (Japan Industrial Robot Association) define robô, distinguindo-os em três tipos: Os seqüenciais, os de ciclo programáveis e os robôs inteligentes. Este último tem a seguinte definição:

 

Robôs Inteligentes – são máquinas ou agrupamentos de máquinas capazes de se adaptar às modificações de ambiente mediante sistemas evoluídos de controle, percepção, comunicação e decisão. (Ferreira, 1991, p.12)

 

Através de sensores adaptados a uma máquina e com uma programação eficiente, que permite a ação destes sensores e o armazenamento dos dados captados pelos mesmos, é que uma máquina passa a ser denominada robô. É através dos sensores que passa a perceber o meio e interagir com ele. Um robô pode ser de maior ou menor sofisticação, dependendo de como foi construído, como foi programado e a que finalidade se destina

 

            Os robôs podem ser equipados para sentir ou perceber calor, pressão, impulsos elétricos e objetos, e podem ser usados juntamente com sistemas de visão rudimentar. Assim eles podem monitorar o trabalho que realizam. Colocando de uma outra forma, o robô moderno pode aprender e se lembrar das tarefas, reagir ao seu ambiente de trabalho, operar outras máquinas, e se comunicar com o pessoal da fábrica quando há ocorrência de mau funcionamento. Isto representa uma nova tecnologia – que pode levar à reformulação de nossa maneira de pensar e trabalhar. (Ullrich, 1987, p.8)

 

A palavra robótica refere-se a estudo e a manipulação de robôs. A mais adiantada e mais conhecida é a robótica industrial onde se desenvolvem robôs para a aplicação na indústria, na medicina, em pesquisas, etc,  e os mesmos vem a substituir o homem em atividades consideradas perigosas ou inacessíveis.

 

Há ainda a robótica educacional. Esta, mais recente, é voltada a desenvolver projetos educacionais envolvendo a atividade de construção e manipulação de robôs, mas no sentido de proporcionar ao aluno mais um ambiente de aprendizagem, onde possa desenvolver seu raciocínio, sua criatividade, seu conhecimento em diferentes áreas, a conviver em grupos cujo interesse pela tecnologia e a inteligência artificial  é comum a todos. Como afirma Seymour Papert, em seu livro A Máquina das Crianças, a robótica na escola servirá de plataforma para fazer conexões com outras áreas intelectuais, inclusive (entre outras) com a Biologia, a Psicologia, a Economia, a História e a Filosofia.

 

O esboço desta nova disciplina surgirá gradualmente, e o problema de situá-la no contexto da Escola e no ambiente de aprendizagem maior, será melhor apresentado quando o tivermos na nossa frente. Apresento aqui uma definição preliminar da disciplina – porém apenas como uma semente para discussão – como aquele grão de conhecimento necessário para que uma criança invente (e, evidentemente, construa) entidades com qualidades evocativamente semelhantes à vida dos mísseis inteligentes. Se este grão constituísse a disciplina inteira um nome adequado seria “engenharia de controle” ou até mesmo “robótica”. (Papert, 1994, p.160)

 

 

 

 

 

 

2. ROBÓTICA EDUCACIONAL

 

 

          Também conhecida como Robótica Pedagógica, é caracterizada por ambientes de aprendizagem onde o aluno pode montar e programar um robô ou sistema robotizado. Vai desde a simulação na tela do computador, como por exemplo, a implementação de um relógio digital ou contador que aparece na tela do computador e possui apenas sensores externos até meios físicos externos ao computador.  Um robô inteligente com capacidade de decisão numa competição pode ser um projeto bastante estimulante ao aprendiz e é viável numa escola.

 

          Na Robótica Industrial a finalidade de um sistema robótico é permitir que o trabalho final, que foi feito através  do robô, seja de melhor qualidade, em menor tempo, menos gastos que aquele desenvolvido pelo homem nas mesmas condições. Já a Robótica Educacional visa o processo de construção e elaboração do pensamento do aluno. Aqui, não interessa muito o produto final e sim o caminho que é feito até que se chegue a um determinado fim.

 

               Os objetivos e as formas de se trabalhar com robótica educacional podem variar bastante. Defende-se aqui  o trabalho desenvolvido no Colégio Marista Nossa Senhora do Rosário, Porto Alegre, RS. Nesta escola, a robótica educacional objetiva desenvolver o raciocínio lógico, a criatividade, a autonomia no aprendizado, a compreensão de alguns conceitos de Física e o conviver em grupo, num ambiente que reúne tecnologia e trabalho manual.

 

 

 

 

 

3. A HISTÓRIA DA ROBÓTICA EDUCACIONAL

 

         

          Pouco se tem registro de como começou os trabalhos em robótica com caráter educativo. Sabe-se que W. Ross Ashby, um médico psiquiatra britânico, desenvolveu vários trabalhos em Cibernética, sendo reconhecido internacionalmente como um pioneiro na área. Em seus livros Projeto para um Cérebro (1952) e Introdução a Cibernética (1956) ele defende que o cérebro humano trabalha por processos mecânicos e como tal pode, em parte, ser reproduzido em máquinas. Procurava interpretar a Inteligência Artificial criando situações que fosse fonte de estudo para entender o processos de aprendizagem. Planejava modelos mecânicos de comportamento, entre eles o Homeostat, para enfatizar que a inteligência não reside num único local privilegiado mas na estrutura do todo.

 

Também Gray Walter, renomado neurofisiologista, na mesma época que Ashby,  implementava  robôs para analisar suas ações e compará-las sempre no sentido de aprendizagem através deles. Uniu a eletrônica a biologia, para criar os primeiros animais robóticos autônomos. Eram duas tartarugas, batizadas de Elsie e Elmer, que foram programadas para executar duas ações que consistia em evitar obstáculos grandes e recuar quando colidissem num e procurar uma fonte de luz. Gray Walter estudava o “sistema nervoso” de suas tartarugas para afirmar que a interação com o meio ambiente resulta num comportamento inesperado e complexo.

 

Mas foi Saymourt Papert quando saiu do Centro de Epistemologia Genética de Genebra e foi fazer parte do Laboratório de Inteligência Artificial do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em 1964, que direcionou seu trabalho a desenvolver estruturas e programas que pudessem ser usados por estudantes ainda pequenos e através deles desenvolvessem atividades intelectuais bastante relevantes.  Trabalhando com Marvin Minsky, associou as idéias centrais de Piaget a alta tecnologia desenvolvida no MIT. Sempre tendo seu interesse voltado a forma como se processa a aprendizagem, viu nos computadores um meio de atração maior e um facilitador da aprendizagem. Nesta época já existia um movimento denominado Instrução Auxiliada por Computador CAI (Computer Aided Instruction) que originou-se junto do advento da computação, mas que não frutificou, pois os objetivos eram o de programar um computador com os mesmos tipos de exercícios aplicados por um professor tradicional que usa o quadro-negro, livros didáticos ou folhas de exercícios. Saymour teve uma visão progressista, percebendo que os computadores poderiam ser usados com o mesmo objetivo educacional mas de outra forma. Surgiu o Movimento de Tecnologia Educacional Progressista PEI (Progressive Educational Technology Movement) a partir de um de seus mais famosos trabalhos que é a tartaruga  controlada em LOGO, uma linguagem de programação bastante acessível até para crianças. As primeiras tartarugas eram grandes e resistentes com capacidade de resistir ao peso de uma criança. Mais tarde se converteram em modelos reduzidos com motores, sensores e sintetizadores de voz.

 

A linguagem LOGO abriu um espaço de criação com capacidade de simular formas, imagens e comandos bem acessível a qualquer idade, abrangendo desde as ciências até as artes. Esta forma simples de programação atraiu a atenção de muitos. Na década de 70, Alan Kay, um cientista da computação e músico, também liderou atividades do uso do computador pessoal na educação e, em 1980, a divulgação da linguagem LOGO, que passou a ser comercialmente disponível, associada aos computadores pessoais já de mais fácil aquisição, oportunizaram que se fosse implantada, em muitas escolas, esta nova forma de aprendizado. Muitos professores progressistas aderiram ao PEI.

 

          Mais tarde surge o projeto LEGO / LOGO, também no MIT e se difunde pelo mundo. Os módulos de plásticos, acompanhados de polias, engrenagens, leds, motores, sensores, etc, facilitam a elaboração da parte física e mecânica. Novas linguagens de programação foram incorporadas na linha LEGO. A mais usada atualmente é a ROBOLAB. É um software amigável, elaborado de forma que os comandos possam ser dados por ícones associados entre si. O usuário sente-se muito a vontade na sua utilização pois não necessita ter o conhecimento de uma linguagem de programação.

 

          No Brasil é fabricada a interface SuperRobby que associada ao programa Everest é possível desenvolver alguns trabalho interessantes, mas é limitada no sentido de que a interface fica sempre ligada com fios ao computador, não permitindo assim a construção de um robô móvel. O trabalhos desenvolvidos nas escolas e universidades brasileiras são, em sua maioria, utilizando-se de HandBoard importadas. Estas placas, desenvolvidas no MIT e outros centros tecnológicos são difundidas mundialmente através de competições de robôs onde participam todos os que se interessam pelo assunto, sendo que, a maioria vem de grupos formados dentro de uma instituição educacional.

          E, pouco a pouco, vê-se uma tendência dentro das Universidades Brasileiras, como no Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do sul (UFRGS), de desenvolver práticas de laboratório onde a aquisição de dados é feita através de sensores acoplados a experimentos que captam a interferência do meio e os dados obtidos são armazenados e analisados por programas específicos para esse fim.

 

 

 

 

4. A ROBÓTICA E O RACIOCÍNIO LÓGICO

 

         

Durante a programação de um robô existe o pensar sobre o se está fazendo, de forma lógica e ordenada. Um comando dado deve estar vinculado ao que se deseja de ação. Se não há lógica na programação, não há programação. E esta é feita sempre pela necessidade do próprio aluno de encontrar uma solução para um problema detectado por ele mesmo. Através de uma brincadeira, que é montar e desmontar um robô, programar e testar a programação, percebe-se que o aluno elabora rede de conexões neurais bastante complexas, de maneira singular. Apenas conhecendo a simbologia, prevê a ação, planeja, ou melhor, programa o robô e pode, em seguida, testar o que foi planejado. Na tentativa de implementar um sistema inteligente e autônomo, procura nas suas ações anteriores a condição de seqüência do seu planejamento.

 

          A teoria de equilibração, de Piaget (1975), trata de um ponto de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação, e assim, é considerado como um mecanismo auto-regulador na interação com o meio-ambiente. Na robótica educacional é oferecido ao aluno um ambiente onde o mesmo pode manusear, criar, programar por si mesmo e, através desta prática lúdica, desenvolve o raciocínio lógico tão importante nas diversas áreas do conhecimento

 

Se o trabalho for dirigido pelo professor de forma que diga os passos, características e funções iguais a todos os alunos não é robótica educacional. O trabalho deve ter desafios onde, por exemplo, se sugere que se construa um robô capaz de seguir um feixe de luz e que pare quando muito próximo a fonte emitente da luz. Cada aluno fará o seu robô e, se funcionar, quer dizer, chegar a seguir um caminho escolhendo o lado de maior luminosidade e parar quando muito próximo, está ótimo, não interessando como foi construído ou programado. Em princípio, não se questiona se o programa está correto ou não. Se funcionar, está.

 

E se não funciona? O aluno tenta uma hipótese, uma programação elaborada por ele e “não dá certo”, o robô não funciona como o imaginado. Excelente! É aí que ele pode refletir sobre sua própria ação: “Por que não funciona?” Pensar e raciocinar de forma lógica é essencial em qualquer situação, não só na robótica. E este raciocínio lógico reflexivo pode ser desenvolvido através dela, que permite de imediato, que se repense, se refaça e se teste novamente. Estas ações se repetem até ser bem sucedido. A robótica favorece o esquema de assimilação e acomodação defendida por Piaget. O que, normalmente, é feito a longo prazo, se realiza num intervalo de tempo bem menor, através da robótica. Assim, o pensamento lógico reflexivo que se desenvolve nas aulas de matemática, física, química e outras disciplinas, é desenvolvido de forma agradável e descontraída e, diria até, de maior sucesso, utilizando-se a robótica educacional.

 

Se o aluno é capaz de analisar um fato, raciocinar de forma lógica e reflexiva e empreender uma ação consubstanciada no que analisou, é alguém com garantia de sucesso em todas as áreas pois o processo de equilibração não tem uma estabilidade definitiva devido a predominância permanente da assimilação sobre a acomodação (Battro, A.M., 1991). A cada nova hipótese formulada na tentativa de solucionar o problema, o aprendiz torna-se agente de seu próprio conhecimento e constrói, por si só, todo o processo de aprendizagem. Baseado em situações-problemas por ele mesmo criado, a partir da interação com a realidade que se lhe apresenta, busca a solução  e pode avaliar, de imediato, se sua ação foi correta diante da reflexão que a levou a tal e com isso aprende a aprender. Seu raciocínio lógico reflexivo tornar-se-á tão mais eficaz quanto mais o desenvolver.

 

Em robótica, há sempre um desejo de reproduzir estruturas cada vez mais complexas, onde a introdução de um novo componente (motor, sensor, engrenagem) vai modificar a estrutura anterior e necessita um novo equilíbrio construtivo para que o sistema funcione. A importância pedagógica da robótica se dá pela ampliação cognitiva num processo de assimilação lúdica.

 

 

 

 

5. ROBÓTICA E CRIATIVIDADE

 

         

Considerando o avanço tecnológico e o uso da informática na educação, cabe uma análise de que forma a tecnologia pode contribuir no desenvolvimento dos talentos criativos.

          Segundo Garden (1983), o indivíduo pode ser dotado de um ou mais tipo de inteligência. Em seu livro “As Estruturas da Mente” defende a Teoria das Inteligências Múltiplas classificando o talento conforme a natureza das atividades dos sujeitos nos diferentes sistemas simbólicos. Assim, teríamos talentos lingüísticos, musicais, matemáticos, cinestésicos, espaciais, intrapessoais e interpessoais, sendo que uma pessoa pode ter um ou mais destes talentos. É possível que através do uso da robótica educacional se possa oportunizar uma abrangência maior de possibilidades do desenvolvimento dessas inteligências. Nas atividades que envolvem a construção e a programação de um robô, que é feito, normalmente em grupo, as ações  privilegiam as atividades perceptivas tanto na visão espacial, quanto no toque, pelo manuseio das peças. E, em grupo, trabalham as relações interpessoais interagindo com o outro para troca de idéias e conhecimentos. É comum a formação do grupo objetivando reunir pessoas com conhecimentos diferentes. Um, com conhecimento maior em eletrônica, outro na área de programação, outro na parte de estrutura com conhecimento maior em mecânica. Assim, um grupo heterogêneo, mas com a mesma finalidade, crescem enquanto pessoas humanas, desenvolvendo seus talentos criativos nas mais diferentes áreas.

          Esta nova prática traz para a Educação uma nova realidade onde o aluno é o centro do processo e aplica sua imaginação criadora interferindo no meio. Ele não se limita apenas a fornecer respostas operantes sobre o ambiente mas significar e, por sua própria ação, resignificar a experiência. Ele percebe o meio que lhe é apresentado e pode agir, montando e desmontando um robô, usando e buscando peças de que necessita e que, muitas vezes, precisa adaptar ao projeto pois não é exatamente o que pensava de início.

Também R.H Day, no livro “A Psicologia da Percepção”, discorre sobre a percepção do meio e os ajustes e acomodações que cada indivíduo sofre nesta interação.  Para sobreviver num ambiente de objetos e eventos físicos o indivíduo precisa ajustar-se continuamente à variedade de energias, em constante mudanças que o cercam. A totalidade dos processos envolvidos na manutenção de contato com este mundo flutuante de energia, é a percepção. (DAY, 1970). Ao perceber o todo e nele as partes que necessita para desenvolver um robô ou sistema robotizado, o indivíduo inicialmente cria em sua mente as várias possibilidades de ação e não quer apenas reproduzir o que já existe pois, em robótica educacional, o importante é sempre desafiar o aluno de forma que possa produzir através de sua imaginação criadora e não reproduzir algo já feito, pois desta forma, estará desenvolvendo suas habilidades, seus talentos e sua criatividade.

 

A totalidade de estimulação – visual, auditiva, vestibular-labiríntica e cinestésica – determina a percepção do espaço tridimensional.( DAY, 1970). No espaço da robótica educacional o aluno trabalha de forma singular num universo de possibilidades, onde busca por si próprio o conhecimento nas mais diferentes áreas. Reestrutura seu pensar em direção a um objetivo, busca novos significados do objeto em estudo, avalia o que procura fazer, testa as novas formas por ele ordenadas e constrói sua comunicação através da forma concreta, o robô. No decorrer do processo há o desenvolvimento do potencial criativo, onde a percepção é um instrumento básico mas é a cognição que promoverá atividade perceptivas de centrações e descentrações articuladas, reorganizando e reestruturando o pensamento lógico reflexivo, que possibilita o avanço da concretização de uma idéia.

 

Partindo de algo já existente, como peças Lego, motores e sensores e dar forma a um objeto funcional que seja leve, de agradável design e que possa receber os comandos estabelecidos num programa é um desafio à criatividade. É preciso perceber no todo as formas mais eficientes, e isso é criar.

 

 

 

 

6. ROBÓTICA E AUTONOMIA NO APRENDIZADO

 

 

Em nossas escolas é muito grande o número de alunos que atribui ao professor a única responsabilidade de seu aprendizado, sem nunca se questionar se o aprender pela pesquisa e pela busca independente do conhecimento não seria parte fundamental no processo. E sabe-se que nestes tempos modernos o conhecimento aumenta de forma assustadora e que, uma única pessoa é incapaz de deter todo conhecimento e muito menos transmiti-lo de forma eficaz. Este conhecimento está em toda parte, disponível em livros, Cds, vídeos, computadores, na internet e cabe ao aluno, auxiliado pelo professor, saber fazer uso desses meios para, num questionamento construtivo, significar suas ações a partir de práticas que levam ao aprender, ao fazer e ao ser.

 

Tornar o aluno um agente ativo de seu próprio conhecimento tem sido o grande desafio da escola moderna. É tarefa árdua transformar a escola tradicional onde o professor detinha todo o conhecimento e o transmitia ao aluno, sendo este um agente passivo do processo. Esta nova necessidade de transformação tem dificultado a ação dos professores pois o aluno está habituado a esperar que o professor repasse o conhecimento a ele, sem se dar conta que, nos tempos atuais, é simplesmente impossível esta prática devido, principalmente, a imensidão de conhecimento armazenado nas mais diferentes formas e que uma única pessoa, ou umas poucas pessoas, possam deter todo este conhecimento.

 

Esta transformação nas escolas está ocorrendo de forma muito lenta e só é sucesso quando a proposta é atraente e desafiadora. A passagem da teoria para a prática implica em  usar de instrumentos tais que a vivência do aluno o levem a agir por sua própria vontade. Defende-se a robótica educacional como uma das formas de transformação para esta nova escola por ser o aluno o agente responsável pela busca do conhecimento necessário para que seu projeto tenha o desenvolvimento a que se propôs de início.

 

A robótica envolve conhecimento das mais diversas áreas os quais nem sempre estão tão disponíveis quanto o desejado. Na área da eletrônica, que envolve resistores, transistores, diodos, etc..., nem sempre o professor orientador tem este conhecimento e o aluno busca, por si só, em revistas e livros, consulta técnicos, pede auxílio a familiares, até entender o funcionamento de determinado componente. Experimenta, analisa, refaz, se necessário e, assim, aprende por si só.  Na área de programação, nem sempre domina a linguagem de programação, mas vai em busca, pela necessidade de ver seu robô em funcionamento. Rompe barreiras, vai além do que lhe é fornecido, cria autonomia no aprendizado e aprende a aprender.

 

No entanto, a pessoa humana não pode aprender aquilo com que nunca interagiu. É impossível acreditar que aquele indivíduo que nunca tenha ouvido música clássica, por exemplo, venha a gostar e até mesmo tocar este estilo. É preciso antes entrar em contato para, só então, ter despertado o interesse. E aí cabe ao professor criar este espaço de convivência, estabelecer o ambiente adequado e propor tarefas compatíveis com a realidade do aluno mas, não ditar todas as ações e esperar as mesmas respostas de todos os alunos. É preciso ser aberto para que o aluno possa ser autônomo e buscar seu conhecimento. A robótica educacional serve de motivação a aprendizagem. É através dela e por causa dela que existe toda esta busca do conhecimento. O indivíduo motivado aprende diferentemente do indivíduo não motivado. Assim como a aprendizagem está envolvida na percepção, assim também é de esperar que o estado motivacional do observador afete a percepção. Em suma, o que é percebido é, em parte, em função de seus motivos.(DAY, 1970, pág. 91)

 

Na intenção de ver um robô, concebido e estruturado pelo próprio indivíduo, funcionando, o aluno não espera que lhe seja fornecido todos os detalhes de mecânica, eletrônica ou programação. Vai, por si só, em busca do conhecimento. Com base no que compreendeu até então, sejam informações passadas pelo professor ou conhecimento empírico, procura fatores que possa auxiliá-lo no que busca. Ao professor fica a função de  proporcionar um ambiente onde o aluno possa se sentir seguro tanto quanto a elaboração de idéias criativas, quanto a buscar por si só o conhecimento, a agir sobre o que lhe fornecido de materiais e recursos computacionais sem restringir, limitar ou fragmentar o conhecimento. A cada busca e interação com o meio, o aluno vê-se acrescido e modificado. Pelas suas próprias ações, de forma singular e congruente com a circunstância, amplia seu conhecimento, sua maneira de ser e pensar, criando autonomia no aprendizado, aprende a aprender e isto lhe será vantajoso para toda a vida.

 

Humberto Maturana (1990) afirma que educar é uma coisa muito simples: é configurar um espaço de convivência desejável para o outro, de forma que eu e o outro possamos fluir no conviver de uma certa maneira particular.  E também é desejável que o aluno e o professor estejam de tal forma conscientes dessa nova maneira de aprender de forma que existam meios eficazes para que o aluno possa, mesmo na sala de aula, pesquisar a respeito do assunto. O ideal é que além dos computadores, interfaces e programas que viabilizam as atividades de robótica educacional se tenha também acesso a internet e também a uma biblioteca onde os alunos possam consultar sobre assuntos referentes ao projeto em desenvolvimento. Periódicos e sites que se referem a mecatrônica, a eletrônica e a linguagem de programação devem ser recomendados e estar acessíveis ao aluno, mas isso não deve limitar a ação. Pelo contrário, deve ser uma mola propulsora para empreender novas ações e a partir delas o próprio aluno perceber que existe, além da sala de aula, condições que o farão crescer em conhecimento.

 

 

 

 

7. ROBÓTICA E A COMPREENSÃO DE CONCEITOS DE FÍSICA

 

         

Na área educacional, talvez nenhuma outra atividade prática envolva tanto o conhecimento de Física, quanto a Robótica Educacional. Nas atividades de montagem de uma estrutura que seja funcional é preciso que o indivíduo tenha a percepção do está fazendo e os objetivos a que se propõe. Se, por exemplo, imagina projetar um braço mecânico sabe que precisa força e pequena velocidade mas, se sua idéia é construir um carrinho para percorrer certa trajetória em pequeno tempo, necessita que seu projeto final seja um veículo dotado de grande velocidade e, não necessariamente, força. Para isso, a rotação do motor a que se propõe usar  deve ser reduzida ou aumentada através de polias e engrenagens de forma que venha a contemplar os objetivos fins a que se propôs de início. E trabalhará com relação de transmissão. Se perguntará: Que razões fazem com que associando duas polias de diâmetros diferentes e ligadas por uma correia, se consegue aumentar ou diminuir a velocidade de rotação do motor ?” “Será que a associação das polias da maior para menor é que influi no aumento de rotação do motor?”, e terá a resposta pela observação de sua própria ação. Isso  leva a compreensão do fato de tal forma que aplicará este conceito físico no próximo, ou no mesmo projeto, e poderá explicar que o diâmetro das polias associadas influem na freqüência (número de rotações por segundo) do movimento, naturalmente. E poderá implementar seu projeto com conhecimento e com a compreensão desse conceito de Física.

 

Também, pode se dizer o mesmo quanto a compreensão de conceitos de centro de gravidade e equilíbrio dos corpos. Nas próprias tentativas de construção de uma estrutura, seja de Lego ou outro material, perceberá que a massa do corpo deve estar adequadamente distribuída e que, quanto mais próximo do solo o centro de massa, maior estabilidade terá o robô.

 

          Quanto ao trabalho realizado, a potência desenvolvida e as energias transformadas também são conceitos adquiridos na própria tentativa de montagem e testagem do seu protótipo. Mas, é certamente, na área de eletricidade e magnetismo que o aluno percebe os conceitos de motor e gerador, resistores e as possibilidades de suas associações, diodos, transistores, capacitores e suas funções num circuito, pois estes são componentes comuns num trabalho de robótica.

 

Não é minha intenção descrever sobre todos os assuntos de Física e explicá-los com pormenores, mas apenas exemplificar algumas situações em que o aluno experência e age segundo as leis da Física, sem mesmo tê-las estudado minunciosamente antes. A experiência física supõe essencialmente a intervenção de ações, porque o sujeito não pode conhecer os objetos a não ser agindo sobre eles. (Piaget, 1973). O aluno apenas percebe os efeitos durante a sua ação e compreende conceitos físicos que jamais esquecerá. Quando os tiver que usar novamente, no mesmo ou em outro projeto, poderá fazê-lo com conhecimento pela vivência de sua própria ação.

 

 

 

 

8. ROBÓTICA E O CONVIVER EM GRUPO

 

 

          É cada vez mais importante compartilhar conhecimentos e idéias. O indivíduo, por si só, não sobrevive sem a companhia de outros seus semelhantes e ao mesmo tempo, é bem difícil conviver. Aceitar o outro, repartir com o outro, ajudar o outro e ser ajudado pelo outro são fatores que implicam em se dispor a isso. O que nem sempre é fácil. Por orgulho, egoísmo, receios de ser logrado, muitas pessoas se fecham sobre si mesma o que as impede de evoluir como tais.

 

          O trabalho de robótica educacional nas escolas é feito sempre em grupos. Alunos que pretendem desenvolver um mesmo trabalho, reúnem idéias, apóiam-se mutuamente, divergem em várias questões, aceitam sugestões, analisam-nas em conjuntos, dividem tarefas, associam-se para crescer, enfim, trabalham em parceria.

 

          A implementação de um robô implica no conhecimento de diferentes disciplinas e, na maioria das vezes, um único indivíduo não domina todo este conhecimento. Se faz necessário associar-se a outros indivíduos e, juntos, desvendarem segredos, enfrentarem desafios que, sozinhos talvez não conseguissem superar. É imperativo que o trabalho em grupo se faça de forma coesa, unindo forças e conhecimentos. Às vezes, um simples detalhe projetado por um do grupo é o que falta para que o trabalho se efetive de maneira vitoriosa. Em outras é a busca de peças e materiais que une o grupo afim de finalizar determinado projeto. Mas, na maioria das vezes, é a simples conversação, ou seja, a troca de idéias, que possibilita projetos interessantes. E assim, o indivíduo vai crescendo  no sentido que sozinho faz muita coisa mas, se unido a outros, pode realizar coisas fantásticas.

 

                   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

 

 

 

O ser humano vive hoje num ambiente ocupado também por máquinas e cada vez mais a interação homem x máquina estará presente no cotidiano de cada um. A ciência da computação e a inteligência artificial vem se desenvolvendo muito nos últimos tempos e a escola não pode ficar ao largo dessa realidade. É na interação com o meio que a pessoa aprende e se modifica. Ninguém aprende algo que não estiver inserido no meio ambiente em que vive. É preciso antes proporcionar um ambiente de aprendizagem para depois esperar que o aluno interaja e nele aprenda. Cabe à escola proporcionar cada vez mais esta interação com a tecnologia e a inteligência artificial e, a partir dela, levar o aluno a buscar o conhecimento através de sua própria ação.

 

E, com objetivos bem definidos, onde levem o aluno ao desenvolvimento de seu raciocínio lógico, de sua criatividade, da autonomia no aprendizado e da compreensão de conceitos de Física, a Robótica Educacional vem, de forma lúdica, extremamente atraente e desafiadora preencher um espaço existente entre as atividades desenvolvidas em sala de aula e o dia-a-dia de cada um.

 

   As interfaces inteligentes, ao serem analisadas para então serem utilizadas, levam o indivíduo a se auto-avaliar como pessoa, verificar seu conhecimento, buscar mais conhecimento, perceber quais são seus mecanismos de ação para só então implementar um sistema especialista capaz de “imitá-lo”. E, nesta interação com o meio, onde está inserida a Robótica Educacional, o aluno desenvolve o raciocínio lógico reflexivo, aprende a ser mais criativo, compreende importantes conceitos de Física, une forças e conhecimentos através de um grupo, tornando-se autônomo e responsável pelo seu próprio conhecimento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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